Cirurgia

Esta secção discute a importância da terapêutica anticoagulante nos doentes com válvulas prostéticas e examina as atuais recomendações das guidelines, atuais evidências e estudos em curso sobre a utilização de NOACs nestes doentes

Nesta secção:

A importância da terapêutica anticoagulante nos doentes com válvulas prostéticas

O tromboembolismo e a hemorragia relacionada com anticoagulantes representam a maioria das complicações sofridas pelos portadores de válvulas prostéticas. A necessidade de terapêutica anticoagulante crónica como resultado de FA acompanhada de doença cardíaca valvular destaca a importância de otimizar a qualidade do tratamento anticoagulante para minimizar as complicações tromboembólicas nos pós-operatório, mantendo ao mesmo tempo um perfil de risco aceitável.

Recomendações atuais das guidelines para doentes com válvulas prostéticas

Após a reparação de uma válvula com um dispositivo mecânico ou bioprostético, a terapêutica com AVKs está indicada para a prevenção do AVC e embolismo sistémico; As guidelines do American College of Chest Physicians (ACCP) e do American College of Cardiology (ACC)/American Heart Association (AHA)4 recomendam, com base no tipo e na posição da prótese valvular (resumido na Figura)e tendo em conta o risco de eventos tromboembólicos:

  • Bioprótese: recomendado para os doentes, independentemente da idade, para quem a terapêutica anticoagulante esteja contraindicada, não possa ser gerida ou não seja desejada
  • Prótese mecânica: para a substituição da válvula aórtica ou substituição da válvula mitral em doentes com <60 anos de idade sem contraindicações relativamente à anticoagulação
  • Válvulas mecânicas na posição mitral: Geralmente, mais trombogénicas do que as mesmas na posição aórtica
Profilaxia antitrombótica para os destinatários de válvulas prostéticas
Profilaxia antitrombótica para os destinatários de válvulas prostéticas

Evidências atuais sobre NOACs em doentes com válvulas prostéticas

Até à data, apenas um ensaio clínico – o ensaio RE-ALIGN de fase II – avaliou o desempenho de um NOAC (dabigatrano; N=37) versus varfarina (N=22) em doentes com uma válvula cardíaca mecânica. Houve um aumento na taxa de complicações tromboembólicas e hemorrágicas associadas ao dabigatrano versus varfarina que resultou no fim prematuro do ensaio.5

O papel dos NOACs em doentes com válvulas prostéticas exige mais investigação; dois ensaios clínicos de fase II em curso estão a investigar a eficácia e segurança do rivaroxabano na prevenção de complicações graves em doentes submetidos a substituição mecânica da válvula aórtica (ensaio CATHAR; ClinicalTrials.gov NCT02128841) e a comparar o rivaroxabano com uma terapêutica com AVK em doentes com FA e válvulas mitrais bioprostéticas (ensaio RIVER; ClinicalTrials.gov NCT02303795).

Próxima secção: AVC Embólico de Origem Desconhecida

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